Pular para o conteúdo principal

Ira santa

“O Espírito de Deus se apossou de Saul, (...) e acendeu-se sobremodo a sua ira” (1Sm 11.6).

Ao ouvir que seu povo estava sendo ameaçado pelos amonitas, Saul foi tomado pelo Espírito Santo, se encheu de ira e partiu para a batalha que resultou em vitória. Isso nos parece estranho, mas a Bíblia fala da ira santa, ou seja, a capacidade de ficar irado sem pecar, de se indignar contra o que o próprio Deus se ira.

Certa ocasião Jesus entrou numa sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma de suas mãos. Os religiosos criticaram o Mestre porque ele curou o homem num dia de sábado. Ele olhou ao redor, indignado e condoído com a dureza do coração deles. Isso mostra que a ira santa não é menos nobre do que o amor, pois ambos coexistem em Deus.

Martinho Lutero dizia que “não sabia fazer nada bem até que sua ira se acendesse; aí, então, ele poderia fazer bem qualquer coisa”. Essa ira não é a mesma que a ira egoísta, interesseira e carnal, é aquela capacidade de se indignar contra o mal, a injustiça, o pecado, os valores do reino de Deus. A Bíblia é clara quando diz:

“Abstende-vos de toda forma de mal” (1Ts 5.22).

“Aborrecei o mal, e amai o bem” (Am 5.15).

“Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2Tm 2.19).

“O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

“Provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.10-11).

“Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa” (At 2.40).

“Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O conhecimento e suas implicações

"Quem come do fruto do conhecimento é sempre expulso de algum paraíso" (Melanie Klein). Não posso deixar de dizer duas coisinhas rápidas considerando o contexto dessas palavras de Melanie Klein: Nem todo conhecimento merece ser conhecido, sob pena de sermos expulsos do paraíso maravilhoso que nos acolhia mesmo não tendo o conhecimento que resulta na expulsão. Saber menos muitas vezes significa ser mais sábio. Por outro lado, o conhecimento abre nossos olhos e nos leva a romper com os limites de muitos paraísos. Às vezes nem precisamos decidir sair porque somos expulsos antes. Quando isso acontece quase sempre experimentamos a liberdade que não conhecíamos no paraíso que tanto valorizávamos. Cada um de nós deve discernir o que vale a pena conhecer e o que vale a pena ignorar. Ficar dentro ou fora do paraíso é uma decisão nossa. Mas é bom conhecer os valores e as implicações de nossas decisões, pois somos livres para escolher, mas não somos livres para escolher as consequênc…

A luta interior do pregador

Quem anuncia o Evangelho tem pés formosos, é um privilegiado; é assim que me sinto, e essa glória ninguém a tira de mim. Porém, ninguém conhece os conflitos interiores de um pregador senão ele mesmo. Quando chamado para libertar o povo de Israel do Egito, Moisés pediu que Deus enviasse outro porque ele se sentia desqualificado. Mas, o Senhor lhe disse: "Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar". E ele foi. Quando Deus convocou o profeta Jeremias, a reação dele foi: "ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança". Mas o Senhor lhe disse: "Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás". Mais tarde Jeremias lamentou e chorou muitas vezes pelo seu ministério. Servia de escárnio todo dia diante do povo. Chegou ao ponto de pensar em parar de falar como pregador. Mas esse pensamento atingiu seu coração como um fogo ardente alcançando…

Jó e Enoque

"Jó é Enoque ao contrário (Gn 5.24). Enoque andou com Deus e foi arrebatado para não ver a morte. Jó anda com Deus e é esmagado até ver e sentir o hálito da morte. E ambos foram não apenas justificados pela mesma fé, mas também experimentaram o que experimentaram pela amizade com o mesmo Deus. Portanto, o que vale é: 'se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também'" (Sl 139.8). [Enigma da Graça, Caio Fábio, pag. 71].

A mesma fé em Deus conduz uns à glória e outros à dor. Isso está para além de nosso entendimento. Tanto Enoque como Jó eram íntimos de Deus, e, exatamente por isso um foi arrebatado para o gozo eterno e o outro foi arremessado para longe do gozo terrestre. Diante de nossos olhos Enoque parece ter sido mais privilegiado que Jó, mas ninguém deve tirar tal conclusão. Ambos sempre foram amados por Deus e continuaram crescendo na graça e no conhecimento de Deus.

Por que Enoque escapou da morte e Jó foi alvejado pela…