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Com licença, estou fora da caverna

Voltando para casa nessa tarde, me identifiquei com Elias. Ele foi um solitário, como comumente eram os profetas; eles não andavam em grupo.
 
Elias passou um tempo junto à corrente de Querite, foi buscar apoio de uma viúva, enfrentou o rei Acabe e os profetas de Baal, foi ameaçado de morte pela malvada rainha Jezabel, e por fim, foi parar numa caverna distante. Mas isso não foi o seu fim.

Ano passado a igreja me deu três meses de licença para que eu me recuperasse de um estresse que me incomodava muito. Desta vez a igreja me deu mais três meses, mas acho que o estresse agora está do lado de lá. Estou fora da caverna, em paz, me sentindo muito bem, graças a Deus, apesar de como as coisas aconteceram.

Hoje ouvi uma palavra que foi como um bálsamo na minha alma. Deus tem ciúme de seus filhos. O seu povo é como a menina de seus olhos. Deus separou esse tempo para que eu possa ouvi-lo, ser fortalecido no espírito, descansar bastante, pois, preciso retomar às atividades pastorais renovado e com mais estrutura pelo que vem pela frente.

Claramente percebo que Deus está fazendo comigo o que fez com José, filho de Jacó. Tirando as devidas diferenças, ele está usando o descontentamento de meus irmãos na fé com meu ministério, para me proporcionar esse tempo que não pedi, não criei as circunstâncias para isso, mas estou ganhando. José jamais teria sido primeiro ministro do Egito e nunca teria livrado seu povo de uma grande fome, não fosse o ódio de seus irmãos que o venderam como escravo para viajantes estranhos.

Mais uma vez preciso operar o princípio de que não posso impedir que as pessoas façam o que fazem contra mim, mas posso me responsabilizar pelas minhas reações. Ninguém pode mudar minha reação ao que quer que aconteça. Isso é comigo. E aqui me lembro do que Deus disse para Caim quando o mesmo estava cheio de ódio contra seu irmão Abel. Deus lhe disse: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.6-7).

Elias foi para longe esconder-se numa caverna. Ele andou quarenta dias e quarenta noites para chegar àquela caverna que ficava no monte Horebe. Passou a noite ali. Deus lhe perguntou: “Que fazes aqui, Elias?”. Ele respondeu com autocomiseração, falando de seu zelo por Deus, sua solidão e da ameaça de morte que sofrera. Deus mandou que ele saísse da caverna. Veio um forte vento e um terremoto, mas o Senhor não estava naquilo. Veio ainda um fogo, mas também Deus não estava no fogo. Por fim veio “um cicio tranquilo e suave”, e Deus falou para que Elias voltasse e continuasse seu ministério profético.

Essa é a grande lição de Deus para mim hoje. Tenho sido zeloso por Deus como posso; muitos que poderiam estar somando comigo se levantaram contra mim. De certa forma estou só, pois me tiraram do púlpito e das condições para continuar pastoreando. A diferença é que não entrei em nenhuma caverna e me disponho a ouvir a voz do meu Deus na brisa suave de sua santa presença.

Creio que minha história não está no final, mas na metade. Estou saindo sem saber para onde ir, mas sei com quem estou indo (Hb 11.8). Meu coração está se renovando cada dia e me sinto entrando numa “terra prometida” onde mana leite e mel.

Comentários

Leilany Arruda disse…
Caro Antonio,
tenho sido edificada em meu ministério por meio do seu blog.
Peço a Deus nesse momento que te sustente pela Sua mão.
Não desanime, pois Deus está contigo. Ore a Deus para que abra seus olhos e ouvidos espirituais para te manter firme na Visão ainda em meio a escuridão.
Fique com Deus
Leilany, que coisa boa receber seu comentário. Como deve estar percebendo, estou começando uma nova etapa no blog. O endereço da página anterior agora é: http://antoniofran.blogspot.com
Obrigado por suas palavras.

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