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A segunda metade da minha vida

Enquanto saía da recepção de um hotel dei uma olhada no jogo entre o Atlético paranaense e o Fluminense que no final do segundo tempo empatou o jogo em 2x2 com gol de pênalti pelo campeonato brasileiro. Gostei de ver esse final positivo para o Fluminense que é o meu time no Rio de Janeiro. Esse jogo me mostrou o óbvio no futebol: o jogo é ganho ou perdido no segundo tempo, não no primeiro, o que nos diz que o segundo tempo do jogo é mais importante que o primeiro, pois é nele que se ganha ou perde. Quando comparamos nossa vida com uma partida de futebol, podemos dizer que o primeiro tempo da vida vai até os 45 anos aproximadamente. No futebol há um intervalo de 15 minutos entre os dois tempos, o que serve para o descanso dos jogadores e avaliações técnicas e táticas. Nessa fase da vida (entre 35 e 45 anos), também podemos e devemos parar para uma avaliação. Então, o segundo tempo pode ter uma qualidade bem maior que o primeiro tempo (primeira parte da vida). Nesses dias estou literalme...

Hoje me torno um hebreu moderno

A primeira pessoa a ser chamada de “hebreu” foi Abraão (Gn 14.13). Hebreu é alguém que atravessa limites, que cruza fronteiras, que está no caminho, sempre. A Bíblia diz que, “... pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho” na caminhada da fé (Hb 11.2). Fé é o que experimentamos com ou sem emoções. Ser um hebreu hoje é fazer o que fez Abraão quando Deus o chamou. Ele apenas “obedeceu” (Hb 11.8). Hoje me torno um hebreu moderno. Leio a Bíblia há trinta e dois anos, mas nos últimos anos tenho tido experiências nunca antes vividas. Sinto que estou me convertendo de novo ao Evangelho de Jesus. A Bíblia me fala hoje de uma maneira diferente. Cada dia cresce em mim a consciência de que a chamada “igreja evangélica” caducou, se institucionalizou, tornou-se, infelizmente, uma religião. Estou rompendo com o que sempre chamei de Igreja de Jesus. Hoje tenho outros olhos e convencido estou que essa coisa tem se tornado realmente um ópio. Tenho certeza que não seria aceito como membro de uma ...

Com licença, estou fora da caverna

Voltando para casa nessa tarde, me identifiquei com Elias. Ele foi um solitário, como comumente eram os profetas; eles não andavam em grupo.   Elias passou um tempo junto à corrente de Querite, foi buscar apoio de uma viúva, enfrentou o rei Acabe e os profetas de Baal, foi ameaçado de morte pela malvada rainha Jezabel, e por fim, foi parar numa caverna distante. Mas isso não foi o seu fim. Ano passado a igreja me deu três meses de licença para que eu me recuperasse de um estresse que me incomodava muito. Desta vez a igreja me deu mais três meses, mas acho que o estresse agora está do lado de lá. Estou fora da caverna, em paz, me sentindo muito bem, graças a Deus, apesar de como as coisas aconteceram. Hoje ouvi uma palavra que foi como um bálsamo na minha alma. Deus tem ciúme de seus filhos. O seu povo é como a menina de seus olhos. Deus separou esse tempo para que eu possa ouvi-lo, ser fortalecido no espírito, descansar bastante, pois, preciso retomar às atividades pastorais renova...

CORBÃ - O jeitinho de ser crente

Há dias uma passagem bíblica não me sai do pensamento. Pensando nesse texto, observei que durante meus trinta e dois anos de vida cristã, não lembro ter ouvido uma única vez uma mensagem sobre esse assunto. Eu mesmo nunca preguei sobre ele. O que está por trás disso, consciente ou inconscientemente? O texto bíblico é Marcos 7.1-23. A passagem trata basicamente da censura de Jesus à tradição dos anciãos, ou seja, havia uma tradição histórica entre os judeus conhecida como tradição oral ou tradição dos anciãos, os líderes da religião judaica. Essa tradição corria paralela com os escritos sagrados da Bíblia. Essa era a interpretação das Escrituras Sagradas feita pelos líderes religiosos. A interpretação deles era passada ao povo como sendo o sentido do que Deus queria dizer na revelação escriturística. Só que quase sempre a interpretação dos anciãos visava tão somente os interesses da classe religiosa. O texto que estamos considerando, mostra essa turma religiosa observando tudo o que aco...

Tempo de quietude

Ontem recebi uma mensagem de minha psicóloga. Além de me fazer bem, a mensagem clareou minha mente para o momento que estou vivendo. O texto dizia: “Há tempo pra tudo... tempo de avançar e tempo de aquietar para ouvir a voz de Deus. O segredo estar em descobrirmos em qual tempo estamos”. Hoje acordei com o Salmo 46 na mente. Esse será o meu texto chave para os próximos três meses. Esse salmo fala de um mundo agitado. Aliás, acordamos todos os dias para um mundo violento. Destruição, gritaria e ataques mútuos estão por toda parte. É perigoso sair de casa, seja de noite, ou durante o dia. A grande ameaça das pessoas são as próprias pessoas. Hoje à tarde fiquei com raiva de um homem que me tratou mal na rua. Imaginei como as tragédias podem acontecer tão facilmente em nossas ruas. Paulo escreveu para Timóteo dizendo: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, i...

Vida abundante

O tempo vai passando, a idade aumentando, as experiências se ampliando e a maneira de ver a vida se objetivando. Estou lendo um livro de John Maxwell, e uma frase dele esta semana me chamou a atenção: “Quanto mais velho e experiente, mais específico você deve ser”. A proximidade da velhice me ensina a focar no que mais importa. Não há tempo a perder. Urge agir bem. Não só a vida vai acabar aqui, mas, mesmo antes que isso aconteça, as debilidades limitarão meu campo de atuação conforme Eclesiastes 12.1-8. Assim sendo e assim é, devo viver plenamente para Deus em todos os aspectos da vida. Devo viver de um modo digno do evangelho de Cristo, fazendo tudo de coração, como para o Senhor e não para homens (Fp 1.27; Cl 3.23). Quem aprende a viver recebendo tudo de Deus e devolvendo tudo a Deus, vive abundantemente, pois a vontade de Deus para nós é sempre boa (Jr 29.11; Rm 12.1-2). Como bem dizia Corrie ten Boom: “Deus não tem problemas, somente planos”. “Deus não joga dados”, dizia Albert Ei...

Até à velhice

Estou com quase meio século de vida. E de uns tempos para cá tenho gostado de pensar que a velhice já faz parte de mim. Aliás, acredito que entramos na velhice no momento seguinte à concepção. Quanto mais agora com filha casada, cabelos grisalhos e barba branca. Mas nunca me senti tão livre como agora. Durante uma terapia há três meses descobri que preciso resgatar minha infância. Estou tentando fazer isso e estou gostando. Prova disso é que ao chegar à nossa casa hoje, minha filha me mostrou um artigo que citava o seguinte versículo de Isaías: “Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei” (Is 46.4). Meditei um pouco no texto e resolvi escrever sobre ele. A velhice fala de uma vida longa. Mas o que é isso, se compararmos com o Senhor!? Mas o que é maravilhoso é saber que ele não muda jamais. Por toda a nossa vida Deus é o mesmo, podemos confiar nele. Através do profeta Malaquias Deus ...